Projetos em teatros e auditórios



Auditórios são espaços para comunicação da palavra falada, cantada ou musical. Abrangem desde pequenas salas de aula até grandes salas de concentro.


Os problemas acústicos mais recorrentes nesses espaços costumam ser ecos palpitantes e altos tempos de reverberação, que decorrem das características construtivas do recinto, que em geral contemplam grandes distâncias de delimitação entre superfícies.

Em projetos de teatros e auditórios, os principais desafios em relação à qualificação sonora do ambiente consistem em estabelecer quantificar objetivamente os aspectos subjetivos relacionados à experiência percebida pelo público nas zonas de audiência. Por exemplo, em uma sala musical, um atributo subjetivo relevante é o público se sentir "envolvido".

A fim de traduzir objetivamente esses aspectos subjetivos, foram criadas 2 métricas, decorrentes da avaliação do Tempo de Reverberação da sala: Definição, aplicável a salas para palavra falada; e Clareza, aplicável à salas destinadas à música.

Definição e Clareza

A Definição (D50) se aplica à compreensão de palavras faladas, estando assim, relacionada às situações de discursos ou palestras. Seu princípio acústico consiste na comparação da energia contida no som direto (transmitido diretamente da fonte sonora, e não indiretamente, pelas paredes da sala), mais a energia das reflexões úteis com a energia total da resposta impulsiva.
Este parâmetro fundamenta-se na característica da audição na qual reflexões que atinjam o ouvinte até 50ms após a chegada do som direto são consideradas reflexões úteis, no sentido de que dão suporte ao som direto.
Por outro lado, reflexões mais tardias de 50ms são percebidas subjetivamente como eventos sonoros indesejáveis introduzidos pela sala, manifestados como reverberação, ou em períodos maiores, como ecos.

A Clareza (C80) tem sido usada para caracterizar a "transparência" de músicas em Salas de Concerto. A Clareza diferencia-se da Definição por considerar como reflexões úteis aquelas que atingem o ouvinte até 80ms após o som direto.

Essas métricas são obtidas a partir da resposta impulsiva, realizada através de uma medição acústica. A imagem abaixo expressa o intervalo de valores dessas grandezas acústicas é tecnicamente aceitável em auditórios.

Exemplo de renderização de Clareza (C80) em 500Hz em sala de espetáculos projetada pela empresa. O valor mínimo aceitável para esse parâmetro acústico é -3dB e valores acima de 0dB já são considerados suficientes para um bom C80 no ponto avaliado. O objetivo final é que em todos os pontos das zonas de audiência sejam obtidos valores suficientes para todas as bandas de frequências relevantes dentro do local.


Fator de Força

Outro importante parâmetro acústico, cuja avaliação é levada em consideração principalmente em locais mais amplos, é o fator de força da sala. Este é um parâmetro que consiste em fornecer a capacidade da sala de "reforçar" o sinal originado pela fonte sonora. Assim, correlaciona-se fortemente com a audibilidade sonora no local, sendo -2dB o nível mínimo aceitável e 10dB, o nível ótimo. Fisicamente, corresponde ao nível sonoro total em um determinado ponto da sala, gerado por uma fonte sonora omnidirecional, em relação ao nível sonoro que essa mesma fonte produz em um ponto a 10m em campo livre.

Exemplo de renderização de Fator de Força (G) em 500Hz em sala de espetáculos projetada pela empresa. O valor mínimo aceitável para esse parâmetro acústico é -2dB; acima de 0dB já é considerado "bom"; acima de 2dB, "excelente"; e acima de 5dB, "forte" para G em um ponto avaliado. O objetivo final é que em todos os pontos das zonas de audiência sejam obtidos valores suficientes para todas as bandas de frequências relevantes dentro do local.

Diretrizes de projeto

Em projetos acústicos realizados em teatros e auditórios, quanto mais difuso for o campo sonoro ao longo do espaço, em contraposição à concentração de ondas sonoras em regiões específicas da sala, melhores resultados são obtidos. Abaixo, estão apresentadas algumas características consideradas pré-requisitos para uma boa performance sonora no local:

    1. Equilíbrio Sonoro: para que as zonas de audiência apresentem boa Audibilidade - termo que designa o volume sonoro que a sala proporciona -, deve-se equilibrar as reflexões sonoras no local, de modo que o som seja inteligível ao longo da sala sem que se perca a sensação de "espaço" dentro do local.
    2. Reflexão e Difusão Sonora: para que as reflexões da emissão sonora da área do palco não sejam dissipadas ao incidirem em superfícies da sala, recomenda-se o uso de difusores sonoros que "direcionem" a energia sonora oriunda do palco de forma bem distribuída ao longo das zonas de audiência. De preferência, isso deve ser feito através da concepção de uma geometria estratégica da sala e com o posicionamento adequado de materiais refletores e difusores distribuídos dentro da sala.
    3. Superfícies não paralelas: o paralelismo entre superfícies reflexivas causam efeitos de Ecos Palpitantes, comumente percebidos na área do palco, caracterizando percepção sonora de retorno ou "som metálico" ao apresentador. Recomenda-se evitar a presença de paralelismo entre superfícies. Caso isso seja inevitável, deve-se revestir as superfícies paralelas com absorvedor ou difusor acústico.

O formato das salas também contribui para a criação de um campo mais ou menos difuso. Salas retangulares tendem a produzir um campo mais difuso enquanto em salas elípticas e em leque produzem maior concentração de energia sonora em regiões específicas e frentes de ondas sonoras "defeituosas". Em salas menos favoráveis ao campo difuso, elementos difusores são ainda mais importantes a fim de "corrigir" a baixa difusividade do campo sonoro dentro do ambiente.

Exemplos de formas de salas de concerto e formação de campo sonoro conforme a sua geometria. Para cada representação, o ponto preto indica a fonte sonora (que pode ser um conjunto musical ou um palestrante), em uma extremidade; e o ponto branco, o receptor, sendo ele um ouvinte dentro da sala. As linhas indicam como o som está se distribuindo em cada uma das salas.
Fonte: Livro "Acústica aplicada ao controle do ruído", de Sylvio Bistafa.

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