Projetos em estúdios musicais



Estúdios musicais naturalmente são os ambientes mais comumente associados à acústica, uma vez que a experiência interna e de produção de mídia, decorrente da microfonação de instrumentos no local, exige uma boa captação sonora da atividade executada dentro do local. Esses ambientes podem envolver uma, duas ou mais salas, a depender dos objetivos dos proprietários. O fato é que em cada uma haverá uma demanda rigorosa e específica em relação à qualificação acústica do ambiente.

Níveis de ruído interno e externos
ABNT NBR 10152:2017

Em projetos acústicos de estúdios musicais, o silêncio interno é imprescindível para o preparo do espaço para gravações, produções e mixagens sonoras. Para isso, é necessário um controle efetivo de todas as fontes ruidosas que possam interferir em reproduções e gravações musicais dentro da sala.

O isolamento acústico da sala decorre de um cuidado muito criterioso em relação à especificação dos sistemas de vedação da sala, incluindo paredes, esquadrias e especialmente aberturas que recebem interruptores, passagem de cabos, luminárias, etc..

Para minimizar os níveis de ruído internos da sala, recomenda-se o uso de cabos de áudio balanceados e com elevada blindagem eletrostática, reduzindo a suscetibilidade a interferências eletromagnéticas e ao ruído proveniente da rede elétrica durante ensaios e gravações. Da mesma maneira, os equipamentos instalados na sala (como ar condicionado) devem apresentar níveis de potência sonora mínimos de acordo com a sua classificação técnica.


Finalidade de uso
Cultural/Lazer e Educacionais
Valores de referência
RLAeq [dB] RLASmax [dB] RLNC
Estúdios de gravação audiovisual 25 30 20
Salas de música 35 40 30


Condicionamento acústico

Outro cuidado relevante na fase inicial de projeto é a definição da forma da sala. As proporções entre o seu comprimento, largura e pé direito impactam diretamente na formação de modos acústicos, característicos de salas pequenas. Os modos estão associados às primeiras ressonâncias sonoras da sala, ocorrentes na região dos graves. O problema dos modos acústicos é inevitável para salas dessa escala, porém, conforme a proporção entre as suas medidas, pode-se evitar ressonâncias mais acentuadas em baixas frequências. Em termos conceituais, através do ajuste das proporções da sala, pode-se reduzir ou anular a presença de sobreposições modais dentro do local.

A formação dessas ondas estacionárias, que fisicamente apresentam-se como interferências sonoras construtivas, são favorecidas pelo paralelismo entre paredes e superfícies da sala, ocasionando também problemas de ecos palpitantes nas regiões de frequências médias e agudas. Complementarmente à determinação do formato final da sala, recomenda-se a dispersão de ondas sonoras para que estes efeitos descritos sejam anulados. Recomenda-se que isso seja feito atraves de sutis angulações acima de 0° entre as superfícies.

O projeto de condicionamento acústico de estúdios requer alguns cuidados especiais. Absorvedores sonoros performam de maneiras diferentes conforme tiverem sido projetados. Absorvedores porosos - como lã mineral - quando em forma de painéis, promovem maior absorção sonora em frequências médias agudas. No entanto, para melhor performance em frequências sonoras compreendidas entre 20Hz (frequência mínima audível) e 500Hz (abaixo da qual o painel poroso por si só se torna menos absorsivo), deve-se recorrer a outros tipos de absorvedores, como os baseados em membranas, e placas ranhuradas ou microperfuradas. A sintonização de frequências sonoras de absorção máxima desses dispositivos deve se ajustar às características acústicas intrínsecas à sala, determinada pelas suas proporções, e da sua Função Resposta em Frequência (FRF - Resposta acústica da sala), que é obtida através da medição acústica de uma varredura em frequência (sweep) dentro do local. Em outras palavras, o projeto dos absorvedores sonoros deve ser condizente com as ressonâncias acústicas formadas ao longo do espectro de frequências sonoras audíveis dentro da sala de estudo.

Gráfico de espectrograma obtido a partir de medição acústica de varredura com sweep na faixa de frequências sonoras audíveis (entre 20Hz e 2kHz). As cores representam Níveis de Pressão sonora e a linha pontilhada, o tempo de decaimento sonoro ao longo das frequências analisadas.

No desenvolvimento do projeto acústico da sala, existem ferramentas de predição que permitem a realização de modelagem acústica do espaço 3D para assegurar maior precisão na elaboração de resultados. O descritor principal de qualidade acústica da sala é o Tempo de Reberberação (T60), métrica que descreve o decaimento sonoro e cuja performance pode ser avaliada em diferentes bandas de frequência sonora audíveis.

A EBU Tech 3276 estabelece critérios de qualidade para salas de escuta. O resultado alvo descrito no documento referencia parâmetros desejáveis na posição de produtores musicais, que em geral exigem tempos de reverberação controlados.

Gráfico que indica a variação aceitável do Tempo de Reverberação para diferentes bandas de frequências sonoras audíveis entre 63Hz e 10kHz para salas de escuta. Fonte: Adaptação de gráfico da EBU Tech 3276.


Apesar de o projeto dos absorvedores assumir maior protagonismo na configuração final do projeto, é importante complementar o controle da reverberação sonora com o espalhamento sonoro adequado dentro da sala. Através dessa ação de projeto é formado um som mais "vivo" no local, dando ao músico maior sensação de "espaço". Esse resultado pode ser alcançado através do uso de difusores sonoros. Existem diferentes objetivos que podem ser alcançados conforme a intenção artística do músico/produtor.

Tempos de Reverberação sugeridos para Salas de Controle, de modo a dar a ela aspecto sonoro "muito morto", "normal" ou "muito vivo" conforme o volume da sala. Fonte: Adaptação do livro "Architectural Acoustics", de Marshall Long.


Caso você precise contratar um dos nossos serviços, divida a sua necessidade conosco.